Análise do mêsagosto/2026

Em agosto o índice caiu 0,8% em dólar e ficou parado em real. A diferença é o câmbio: o PTAX médio subiu de R$ 5,11 para R$ 5,15, e pela primeira vez no ano a moeda deixou de ajudar o importador. Por trás do índice, o volume encolheu mais do que o preço: a cesta importada perdeu 26% em toneladas e 12% em dólares contra julho. Contra agosto de 2025, o Brasil importou 33% menos peso pagando 3% mais, ou seja, a cesta migrou de insumos pesados e baratos (fertilizantes, resinas) para químicos e partes de máquinas, que valem mais por quilo. A rotação de origens continuou: Alemanha (+1,3 ponto), China (24% da cesta, +1,0), Índia e Chile ganharam participação; Rússia, Arábia Saudita e Marrocos perderam, um efeito da entressafra de fertilizantes e da cota russa de exportação. Em 292 códigos o preço caiu mais de 10% com volume em alta no mesmo mês, o sinal de troca de fornecedor que este índice mede: tubos de aço sem costura saíram dos Estados Unidos para a China, tintas acrílicas do Japão para a China, éteres aromáticos da Espanha para a Índia.

O vento de cauda da logística acabou. O frete Ásia-Santos parou de cair em agosto (cerca de US$ 6,3 mil por TEU na SCFI, 23% abaixo do pico de junho, mas estável há quatro semanas), e a greve de três dias nos terminais de contêineres de Santos no início do mês lembrou que o porto opera no limite. O diferencial de juros, que sustentou o real, começou a estreitar: o Copom cortou a Selic para 14,00% em 5 de agosto e deve cortar de novo em 16 de setembro, enquanto o Fed decide no mesmo dia com chance real de alta. Quem tem pedidos em dólar para o quarto trimestre está comprando uma moeda que já não tem os dois apoios que teve no primeiro semestre. Em fertilizantes, o preço da cesta recuou 2,7% mas o volume importado caiu 37% no mês, com as importações do ano 7% abaixo de 2025 e o MAP no mercado americano acima de US$ 950 por tonelada; o governo mandou os portos priorizarem a descarga de fertilizantes para a safra 2026/27 em 20 de agosto, um sinal de que a reposição vai apertar. Em resinas, o polipropileno asiático subiu para perto de US$ 1,29 por quilo e a medida antidumping sobre o polietileno americano segue em US$ 199 por tonelada com recurso da Braskem por cerca de US$ 734: o risco regulatório de julho continua de pé.

No comércio exterior, a tarifa americana de 25% (Seção 301) segue inalterada desde 22 de julho, e o processo brasileiro de reciprocidade, aberto em 13 de agosto, tem até 60 dias para o primeiro relatório e depois até 30 dias de consulta pública antes de qualquer contramedida. Na prática, nenhuma retaliação chega antes de novembro, o que dá a quem depende de insumo americano um trimestre para mapear alternativas com o preço ainda conhecido. O acordo Mercosul-UE está em vigor provisório desde maio e o custo de trocar para origem europeia caiu; os números de agosto mostram que os importadores já começaram a fazer isso.

Análise editorial da Tandom, escrita a cada fechamento mensal com base nos dados do índice e em fontes públicas de mercado. Não é recomendação de compra.