Análise do mêssetembro/2026

Em setembro o índice caiu 0,8% em dólar e 1,0% em real, para 80,6 e 157,2 pontos. O PTAX médio quase não se mexeu (R$ 5,15 em agosto, R$ 5,14 em setembro), então o câmbio ajudou pouco. A média esconde um efeito de composição: os medicamentos, 8,8% do peso da cesta, subiram 7,3% em preço depois de cair 11,6% em agosto. Sem eles, o índice teria caído 1,6%, depois de subir 0,3% em agosto. Numa das posições o preço relativo subiu 96% porque a origem principal passou da Eslovênia (US$ 1,3 mil por quilo) para os Estados Unidos (US$ 15,6 mil por quilo, em 4 toneladas): é troca de remessa, não reajuste. O recuo de preço de fato está nos insumos industriais: resinas pagaram 5,9% menos por quilo, papel 5,1% e fertilizantes 1,9%, enquanto metais subiram 0,9%. A cesta trouxe 7,5% mais quilos que em agosto por 3,0% menos dólares, e 16,7% menos quilos que em setembro de 2025 por 1,4% menos dólares.

A troca de fornecedor continua, com outro desenho. Alemanha e Itália perderam 1,2 ponto de participação cada uma, em parte por medicamentos e máquinas, e a China chegou a 24,8% da cesta. Em fertilizantes, o Marrocos recuou de US$ 120 milhões para US$ 39 milhões, e Nigéria (de US$ 30 milhões para US$ 91 milhões) e Rússia (de US$ 296 milhões para US$ 327 milhões) ocuparam o espaço. Em 332 códigos o preço caiu mais de 10% com volume em alta (292 em agosto), e em 139 deles o principal fornecedor mudou: a China passou a ser a principal origem em 58, como no ácido fumárico, que saiu da Espanha para a China.

O preço na origem já virou. Com o petróleo perto de US$ 100 por barril, segundo fonte do setor ouvida pela Polymer Update, o polipropileno no Extremo Oriente subiu para US$ 1.180 a 1.220 por tonelada CFR na semana de 9 de setembro, US$ 40 a 60 em uma semana. Como o valor unitário de setembro reflete embarques provavelmente fechados antes disso, a janela de resina barata tende a ser curta. O Copom cortou a Selic para 13,75% em 16 de setembro, o quinto corte seguido, e no mesmo dia o Fed subiu a faixa para 3,75% a 4,00%, com 16 de 18 dirigentes esperando nova alta neste ano: o diferencial estreita pelos dois lados, e o dólar parado de setembro não é garantia para o quarto trimestre. Duas datas organizam a compra. A Resolução Gecex 963 renova, de 17 de outubro de 2026 a 16 de outubro de 2027, alíquotas de 9% a 20% sobre 26 químicos e polímeros, o que fixa por um ano o custo de nacionalização desses itens. E a reciprocidade contra os EUA, aberta em 13 de agosto, não deve gerar contramedida antes de 2027, segundo o ministro Márcio Elias Rosa em 19 de agosto: quem depende de insumo americano (13,5% da cesta) tem tempo para cotar outra origem com o preço ainda conhecido.

Análise editorial da Tandom, escrita a cada fechamento mensal com base nos dados do índice e em fontes públicas de mercado. Não é recomendação de compra.